VEREADOR: O representante mais próximo. CANDIDATO: O mais distante?! Que confusão!

Vou fazer um pequeno relato. Situações do cotidiano político que me deixam intrigado. Vejamos…

Em tese, o VEREADOR é o representante do governo mais próximo da sociedade. Deveria ser! Está lá para REPRESENTAR os interesses dos munícipes.

Talvez, o problema disto na prática tenha início nas relações IMPESSOAIS que se configuram na campanha política, no período eleitoral.

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Hoje eu tive uma experiência interessante logo cedo. Recebi um “santinho” de um candidato a vereador. Na verdade, de um rapaz que panfletava para ele.

Fiquei imaginando como seria receber um santinho de outro candidato. Hoje tirei a dúvida. Hoje tive a certeza de como NÃO abordar um cidadão/eleitor.

O rapaz que me entregou o santinho era mecanicamente treinado para isto. Tirou todo o contato humano da relação.

Veio com um discurso pronto. Colocou o candidato como ator principal da situação. Não deixou espaço para eu falar uma palavra sequer além de “aham”, “sim”, “é”, “obrigado”. Foi muito curioso. Só faltou ele gritar: “PRÓXIMO!” após falar comigo.

Os políticos, os candidatos precisam entender que o ator principal da eleição é o eleitor, e não ele (ou eu), candidato!

Que ato falho! Se eu não fosse votar em mim, certamente não votaria neste candidato do santinho que recebi hoje.

Não da para aceitar essa relação afastada. Não tive espaço para falar nem mesmo com o rapaz que me entregou o “santinho”. Só ele falou, só ele teve o direito de falar. Nem perguntar algo foi possível. Como votar em alguém assim?

Isso é realmente política?
Contagem Regresiva! A mudança passa por todos nós!

Renovação hereditária: Caio França é o candidato do governo à prefeitura de São Vicente.

E deu o óbvio.
Quem apostava em alguma zebra na disputa interna do PSB, entre Caio França e Paulo Lacerda, certamente, não poderia contar nem mesmo com a sorte.
O sobrenome “França”, a votação expressiva à vereador nas últimas eleições (8.096 votos – o vereador mais votado da história de São Vicente), o apoio interno do pai, e um dos mais atuantes vereadores – da precária e pouco impactante – Câmara de São Vicente, indicavam que não seria uma disputa leal.
Nem mesmo a trajetória política e os 4 mandatos de Paulinho Alfaiate (e seus os 4.477 votos nas últimas eleições à vereador) fariam frente à ascensão de França.
Caio França é jovem e levanta a bandeira da renovação.
Porém, o nome não permite que fale em renovação. Afinal, já são 16 anos de PSB, sendo 8 deles governados por Márcio França – seu pai.

Falar em renovação seria dar um tiro no pé.
No discurso do vídeo, o que temos é uma fala amena, um discurso extremamente cauteloso: “[…] São Vicente, ao longo desses 16 anos errou. Nos erramos e acertamos muito. Mas eu tenho certeza que entre erros e acertos, os acertos superam os erros.”
É uma espécie de renovação.
Mas como pode, não é contraditório? – Alguns perguntarão.
É, São Vicente. É uma “renovação hereditária”. – Respondo.

Criação de expressões para entender a dinâmica vicentina à parte, foi dada a largada à corrida eleitoral.
Quem será o vice?
Quem serão os concorrentes?
Haverão concorrentes, desta vez? Ou teremos apenas competidores laranjas?
A política vicentina avança a todo vapor no trenzinho do PSB… quem ficar para trás, que pegue o próximo trêm…

…se ele passar.

Confira o vídeo do momento da escolha de Caio França no link:

Algo novo está surgindo

Um estudo elaborado, em março de 2010, pela FIESP apresenta-nos uma conclusão bastante significativa quanto ao custo médio econômico da corrupção no Brasil: “é estimado entre 1,38% a 2,3% do PIB, isto é, de R$ 41,5 bilhões a R$ 69,1 bilhões (em reais de 2008).”

Porém, apesar da indignação que esses valores nos incitam, Renato Janine Ribeiro nos mostra em uma série de estudos sobre corrupção e política no Brasil que o problema da corrupção é muito mais complexo que o desvio de recursos públicos: é um mal crônico que corrompe costumes e reproduz um ciclo vicioso que corrói o regime republicano do país.

Nesse contexto, após uma série de escândalos públicos de corrupção nas três esferas de governo, movimentos de combate a corrupção, apropriando-se das novas ferramentas das redes sociais, começaram a ganhar força pela internet e mobilizar milhares de pessoas pelo país que saíram às ruas para protestar. Era o despertar de um sono profundo. Algo novo surgia.

Atualmente, estes movimentos, encontraram junto à Controladoria Geral da União uma nova ferramenta de combate a corrupção. Antecipando-se às ações corruptas, ou seja, abordando a questão da transparência e o aprimoramento do controle social sobre os governos, a CONSOCIAL, buscará estimular a participação da sociedade no acompanhamento e controle da gestão pública, contribuindo para um controle social mais efetivo e democrático.

Nessa nova ferramenta de discussão, os trabalhos iniciam-se nos municípios, depois estados, até condensarem propostas em nível nacional. É interessante observar que os movimentos de combate à corrupção que fazem parte da União de Combate a Corrupção (UCC), vem se apropriando da divulgação e organização do CONSOCIAL, o que eleva a importância desses movimentos: mobilizam-se pela internet, pressionam o poder público em manifestações nas ruas e articulam debates e projetos nas conferências.

E você, cidadão, de que lado está? Em um cenário contínuo de escândalos e mais escândalos, ainda existe mais espaço para tanta sujeira “embaixo do tapete” ou, melhor dizendo, dentro dos gabinetes fechados a “sete chaves”? Que postura devemos assumir, diante disso?

* Texto originalmente publicado no blog “O que pensa Matheus?