Algo novo está surgindo

Um estudo elaborado, em março de 2010, pela FIESP apresenta-nos uma conclusão bastante significativa quanto ao custo médio econômico da corrupção no Brasil: “é estimado entre 1,38% a 2,3% do PIB, isto é, de R$ 41,5 bilhões a R$ 69,1 bilhões (em reais de 2008).”

Porém, apesar da indignação que esses valores nos incitam, Renato Janine Ribeiro nos mostra em uma série de estudos sobre corrupção e política no Brasil que o problema da corrupção é muito mais complexo que o desvio de recursos públicos: é um mal crônico que corrompe costumes e reproduz um ciclo vicioso que corrói o regime republicano do país.

Nesse contexto, após uma série de escândalos públicos de corrupção nas três esferas de governo, movimentos de combate a corrupção, apropriando-se das novas ferramentas das redes sociais, começaram a ganhar força pela internet e mobilizar milhares de pessoas pelo país que saíram às ruas para protestar. Era o despertar de um sono profundo. Algo novo surgia.

Atualmente, estes movimentos, encontraram junto à Controladoria Geral da União uma nova ferramenta de combate a corrupção. Antecipando-se às ações corruptas, ou seja, abordando a questão da transparência e o aprimoramento do controle social sobre os governos, a CONSOCIAL, buscará estimular a participação da sociedade no acompanhamento e controle da gestão pública, contribuindo para um controle social mais efetivo e democrático.

Nessa nova ferramenta de discussão, os trabalhos iniciam-se nos municípios, depois estados, até condensarem propostas em nível nacional. É interessante observar que os movimentos de combate à corrupção que fazem parte da União de Combate a Corrupção (UCC), vem se apropriando da divulgação e organização do CONSOCIAL, o que eleva a importância desses movimentos: mobilizam-se pela internet, pressionam o poder público em manifestações nas ruas e articulam debates e projetos nas conferências.

E você, cidadão, de que lado está? Em um cenário contínuo de escândalos e mais escândalos, ainda existe mais espaço para tanta sujeira “embaixo do tapete” ou, melhor dizendo, dentro dos gabinetes fechados a “sete chaves”? Que postura devemos assumir, diante disso?

* Texto originalmente publicado no blog “O que pensa Matheus?