KAYO AMADO – CRISE E MÁ GESTÃO AFETAM A SAÚDE NA BAIXADA SANTISTA E TRAZEM UM CENÁRIO DESASTROSO

Crise e má gestão afetam a Saúde na Baixada Santista e trazem um cenário desastroso
Kayo Amado (Porta Voz da Rede São Vicente)
Maykon Santos (Membro da Executiva Municipal do PSOL/SV)

Os dados revelados recentemente pela R Amaral Consultoria mostram uma situação preocupante em relação à saúde na Baixada Santista.

Isso porque conforme demonstram os balanços financeiros das prefeituras da região, a Receita Corrente Líquida somada de todo os municípios da Baixada Santista caiu 4%(1). Sendo assim, era esperado que uma queda na arrecadação tivesse efeito na vida cotidiana da população, ainda mais se não viesse acompanhada de uma gestão que consiga melhorar a alocação de recursos públicos.

Infelizmente, no caso da Saúde a decréscimo na arrecadação trouxe efeitos perversos para o cidadão da região, pois os gastos nessa área na Baixada Santista num comparativo do primeiro quadrimestre de 2016 com 2017 caíram 7,9%(2), ou R$ 38,4 milhões (foto 01). Como se percebe, enquanto a Receita Corrente Líquida caiu 4%, os investimentos em saúde sofreram uma queda ainda maior (7,9%). Ou seja, má gestão dos recursos públicos. Essa má gestão é liderada por Cubatão, cidade na qual os gastos com saúde caíram 50,2%, seguida por Bertioga e Praia Grande, aonde os gastos diminuíram 9,6%, e Santos com uma queda de 6,5% (ver foto 01). Dois municípios da região tiveram alta nos gastos com saúde – Guarujá (9,8%) e Peruíbe (65,6%).

A diminuição nos investimentos tem resultados imediatos como a queda no número de internações. Na comparação dos primeiros quadrimestres de 2016 e 2017, a região fez 4.357 internações a menos, uma queda de 17,4% (foto 02). Aqui os destaques negativos vão para Cubatão, que com o fechamento do Hospital Municipal zerou o número de internações na cidade, com uma queda de 1.608 internações, Santos com – 1.360 internamentos e Praia Grande com – 1.309. Esperamos que o decréscimo nos investimentos em saúde não aumente o número de óbitos por doenças tratáveis (iremos buscar esses dados e divulgar em breve).

Já São Vicente mesmo tendo uma queda de 1,3% nos investimento em saúde, conseguiu aumentar o número de internações. Entendemos que isso ocorreu devido ao aumento no número de leitos hospitalares entre os períodos comparados. Entre janeiro e fevereiro de 2016 a cidade perdeu 40 leitos hospitalares, caindo de 287 para 247. Esses números se mantiveram até dezembro de 2016 quando o município recuperou 35 leitos, passando a ter 282, número que mantém até hoje. Assim, entre janeiro e abril de 2017 São Vicente teve 282 leitos hospitalares, enquanto que em janeiro de 2016 teve 287, mas em fevereiro, março e abril somente 247 (3). Ou seja, entre janeiro e abril de 2017, na média, a cidade teve mais leito hospitalares do que no mesmo período de 2016. Entretanto, destacamos que São Vicente hoje conta com menos leitos hospitalares do que tinha em janeiro de 2016 (282 contra 287).

O cenário fica ainda pior quando comparamos a região da Baixada Santista com a realidade do estado de São Paulo e com outras regiões do mesmo. A diminuição de 17,4% no número de internações é, disparado, o pior resultado(4) para todo o estado de São Paulo (ver foto 03). Como comparação, fora a Baixada Santista, a região que teve a maior queda no estado foi a de Sorocaba, com uma queda de 5,9%. Isso é três vezes menos!

É impossível pensar a saúde a partir de um único município. A gestão desta deve ser integrada. Os prefeitos da região devem fazer isso conjuntamente. Nós da sociedade civil estaremos fiscalizando, propondo alternativas e debatendo a saúde na Baixada Santista.

(1) Estudo da R Amaral Consultoria, acessado no link: LINK 1

(2) Estudo da R Amaral Consultoria, acessado em: LINK 2

(3) Dados coletados por nós no Sistema do Ministério da Saúde chamado DATASUS: LINK 3

(4) Estudo da R Amaral Consultoria, acessado em: LINK 4

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